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04/12/2018

Carta do III Encontro Sul Brasileiro de Primatologia ao presidente eleito da República Federativa do Brasil

Comissão Organizadora do III Encontro Sul Brasileiro de Primatologia


Os participantes do III Encontro Sul Brasileiro de Primatologia, que reuniu primatólogos, agentes públicos, professores universitários, estudantes de graduação e pós-graduação, representantes de sociedades científicas, institutos de pesquisa e ONGs, em Blumenau/SC, de 9 a 11 de novembro de 2018, vêm, respeitosamente, dirigir-se ao Presidente Eleito do Brasil, Sr. Jair Messias Bolsonaro, para solicitar seu empenho e atenção na adoção de medidas para garantir tanto a manutenção da excelência internacional da ciência primatológica brasileira, quanto a sobrevivência da rica diversidade de primatas que habita nosso país.
O Brasil é o país com a maior diversidade de primatas no mundo. Nossas florestas abrigam 151 táxons (espécies e subespécies), ou 21,5% dos 702 representantes desse grupo no mundo. Mais da metade (57%) dessas espécies são endêmicas do Brasil; ou seja, são exclusivamente brasileiras, não existindo em nenhum outro país do planeta. Cerca de um quarto (35) dessas espécies estão ameaçadas de extinção, como os muriquis e os micos-leões. Cabe à nossa pátria garantir a sobrevivência desse patrimônio mundial.
Os primatas são provedores de serviços ecológicos essenciais. Eles são os principais dispersores de sementes de muitas plantas das nossas florestas. Esse papel de semeadores de árvores promove a proteção das nascentes, garantindo a oferta de água potável para as populações humanas, e a fixação de carbono, contribuindo para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Com sua participação na manutenção das florestas, os primatas ajudam a garantir a presença dos polinizadores de nossos cultivos agrícolas. Os primatas também desempenham um papel crítico na promoção da saúde pública ao servirem como sentinelas da chegada e circulação de agentes patogênicos, tais como o vírus da febre amarela, em uma região, sendo essenciais para orientar os serviços de vacinação da população humana, prevenindo contra tragédias ainda mais graves. Além disso, os primatas continuam sendo grandes modelos para melhor compreender o comportamento e a saúde humanos.
É em função dessa importância que os primatas têm para o funcionamento de nossos ecossistemas naturais e para a promoção da produtividade agrícola e saúde pública, que entendemos como imprescindível que o Poder Executivo Federal invista todos os esforços possíveis para a conservação e a pesquisa dos primatas brasileiros em todo o território nacional. A conservação desse patrimônio da humanidade tem sido promovido por diversas instituições de Estado, com destaque para o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), para as Universidades Públicas Federais, e para os institutos de pesquisa, tais como Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, entre outros.
As políticas públicas brasileiras para a pesquisa e a conservação da biodiversidade, e dos primatas em particular, têm, há décadas, posição de pioneirismo e destaque no cenário mundial, justamente pelo forte alicerce na evidência científica gerada por essas universidades e institutos de pesquisa – especialmente por meio dos programas de pós-graduação – e pela ação governamental coordenada pelos órgãos públicos especializados. Essa excelência em pesquisa e conservação só poderá ser mantida com a garantia da continuidade desses processos, especialmente por meio do investimento de recursos e fortalecimento dessas instituições dedicadas ao ensino, pesquisa e conservação de primatas no Brasil.

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