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14/09/2018

Ministério da Saúde e Fiocruz realizam oficina de modelagem de dados para analise de risco e previsão de emergências de Febre Amarela

Equipe CISS


O Grupo Técnico de Arboviroses do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde em conjunto com a Plataforma Institucional Biodiversidade e Saúde Silvestre da Fundação Oswaldo Cruz, realizou de 10 a 14 de setembro, no Castelo Mourisco da Fiocruz, Rio de Janeiro, a “Oficina de discussão, avaliação e escrita técnico-científica sobre modelagem de dados aplicada a análise de risco e predição de emergências em saúde pública por Febre Amarela no Brasil”. Participaram cerca de 20 especialistas com experiência prévia em modelos de risco, com representantes das Secretarias de Saúde do estado do Rio de Janeiro, Espirito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, da Escola Nacional de Saúde Pública, Instituto Adolpho Lutz e do Instituto Militar de Engenharia e Universidade Federal de São Paulo.
A oficina teve o propósito de compartilhar modelos já desenvolvidos por diversos grupos, em escalas distintas e limitações de dados diferenciadas, e discutir e avaliar caminhos para a utilização de métodos de modelagem de dados aplicados à análise do risco e predição de emergências em saúde pública, com foco especial para a continuidade dos surtos de Febre Amarela no Brasil.
A dinâmica da FA e as rotas de dispersão do vírus amarílico no Brasil foram apresentados e discutidos, assim como os fatores de modificação e avanço do vírus, a evolução das áreas de riscos e áreas de recomendação de vacina e as estratégias de vigilância e controle.
Os resultados da Oficina serão sintetizados em documentos que apresentarão instrumentos para o subsídio à tomada de decisão para as ações de controle e prevenção de FA; novos métodos e tecnologias para lidar com as limitações dos dados disponíveis; e a identificação de parâmetros ecológicos e ambientais que colaboraram com a ocorrência da FA silvestre no Brasil ao longo de sua história.
Foi aceito e acordado processo inicial para o uso do aplicativo SISS-Geo como uma das fontes de notificação de epizootias pela sociedade e por profissionais da saúde, com a  identificação e capacitação de equipes de estados e regiões que desejam integrar o SISS-Geo nas suas ações de vigilância e o cadastramento de responsáveis pelo recebimento dos registros em tempo real.  
Foi estabelecida a formação de um grupo de estudo continuado, colaborativo para discutir, aprimorar e gerar novos modelos de analise de risco e cenários favoráveis à ocorrência da FA que apoiem as decisões para o controle e prevenção, com compromissos importantes, já para a aplicação no período de monitoramento do sazonal entre 2018 e 2019.
A oficina é parte do convênio firmado em 2018 entre a Fiocruz e a Secretaria de Vigilância em Saúde, integrada a uma iniciativa de colaboração entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana e Mundial de Saúde.

Novas estratégias de vigilância de Febre Amarela

Em depoimento ao Centro de Informação em Saúde Silvestre, Renato Vieira Alves, Coordenador Geral de Doenças Transmissíveis na Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, destacou os pontos relevantes da oficina, perspectivas e desafios do grupo em questão:

"A Febre Amarela tem maior potencial de causar emergência pela própria característica letal da doença mas, por outro lado, temos uma das melhores ferramentas de prevenção que é a vacina. No entanto, a vacina é um insumo limitado sob risco de faltar para quem mais precisa.
Neste sentido, as estratégias de vigilância são fundamentais para o direcionamento da vacinação para as áreas de maior risco. Este esforço que tem sido feito com a Fiocruz, secretarias estaduais e outros parceiros, é um tentativa de conseguir indicadores que mostrem a probabilidade de ocorrência da doença em determinadas regiões para a alocação de recursos financeiros, logísticos e humanos. A ideia geral é utilizar ferramentas mais modernas e sofisticadas para que possamos prever com maior precisão aonde a doença vai ocorrer. A perspectiva é que este grupo traga uma proposta de estratégia de vigilância para já ser aplicada no próximo verão.

Este trabalho tem um cunho acadêmico e de pesquisa, mas com uma aplicabilidade imediata. Por isso, a importância do envolvimento dos pesquisadores, secretarias de saúde de estados e ministérios para que possamos obter esse resultado concreto, que vai beneficiar diretamente a população".

 

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